sábado, 14 de julho de 2012


Bom texto. Longo. Mas vale a pena.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor. Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade. Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste. Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade. É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é umdireito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”?É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude. Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa. Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir. Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande. Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito. Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência. Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

ELIANE BRUM, Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

sexta-feira, 29 de junho de 2012


PLANEJE SUA VIAGEM!

O fato é que realmente não sei o que levar se fosse, por exemplo, fazer uma viagem ao deserto. Nunca fui e sinceramente não sei as roupas adequadas, a minha alimentação como deve ser, não sei ao menos usar a bússola.
Com toda certeza, toda viagem começa muito antes de se sair de casa e pegar a estrada. Ela se inicia quando nasce em mim o desejo de sua realização. E ai, começa minha viagem em pensamentos, planos e estratégias. Quando se vai viajar, é necessário uma busca anterior dos costumes, roupas, sapatos, lugares a conhecer, quantidade de dias, hospedagem, dinheiro, companhia ou não, o que se fazer no lugar, o que conhecer... Dentro do possível, buscamos todas as informações possíveis para uma mínima orientação de modo a facilitar o passeio. Isso é planejamento.
O planejamento deve acontecer em toda situação que nos propusermos viver, seja afetivo, profissioanl ou pessoal. Devemos buscar conhccer toda situação que vamos entrar, devemos buscar informações sobre as pessoas pelas quais teremos a possibilidade de escolher para estar ao nosso lado. Muitas pessoas, acham que isso é bobagem, que devemos nos aventurar e sair sem destino, sem planos, deixando acontecer tudo que lhes for permitido. Mas, acabam esquecendo que imprevistos acontecem e que podem não te pegar tão de surpresa assim, pois alguém com certeza deve ter lhe dito: “ Você pode se dar mal! Planeje-se”.
Lembre-se: tudo que se inicia certo, que tem planejamento, não terá erro. Faça as malas do jeito certo e boa viagem!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Seja um chef!!!

Gente, muita coisa mudou em minha vida de pouco tempo pra cá... Estou de casa nova, amigos novos, trabalho novo, enfim, tudo novo mesmo...

Fiquei com medo, receio ou sei o quê, antes de tudo acontecer, mas ao mesmo tempo sabia que essa mudança era necessária. Só sei que foi uma sensação bem difícil de passar quando sabemos que temos que sair de nossa zona de conforto. Mas, quando o novo vem, está na sua porta e você realmente abre, tudo fica gostoso e fácil de se viver.

Hoje trabalho no RH de uma cozinha industrial e tenho aprendido muito com os chefs de cozinha e cozinheiros. Eles são grandes experimentadores. Elem buscam receitas, sabores, temperos e para que eles se dêem bem, eles precisam estar abertos a essas combinações, a experiências, a erros e acertos de forma a acertar o prato do dia ou a errar e não desanimar: tenta até chegar onde deseja.

A satisfação deles está em surpreender, em criar, buscar, inovar e estar sempre se aperfeiçoando.

Muitas pessoas dizem que não gostam de cozinhar por vários motivos: não tem paciência, não gostam de elaborar, de planejar, de misturar tempero como experiência e ver onde vai chegar, etc. E realmente, cozinhar exige todo um preparo, um cuidado especial, desde o misturar os ingredientes até tirar a panela antes da hora. Todo o processo vai interferir no resultado final.

Fui pensando no processo de se preparar um bom prato e fui associando tal processo no nosso crescimento pessoal e profissional. Muitas vezes não temos paciência em exercer todo o processo, não temos paciência de elaborar todos os degraus de crescimento de nossa vida, queremos só comer, queremos só ver o resultado final, mas esquecemos que todas as etapas do processo, todos os temperos que colocamos é que vai fazer a vitória ficar mais saborosa. Esquecemos muitas vezes de colocar o tempero especial na nossa comida, na nossa caminhada. Ficamos acomodados, falando que não sabemos fazer nada e continuamos assim, sem arriscar, sem inovar e fazer toda a diferença. Esquecemos de fazer o nosso melhor e também esquecemos que se o melhor não sai, devemos tentar de novo para apresentar o nosso melhor.

Será que não está na hora de colocarmos o nosso melhor avental de cozinha, arregaçarmos as mangas e começarmos a fazer a diferença? Será que não está na hora de sairmos da nossa zona de conforto e começarmos a ver a vida por um outro lado a não ser somente sentado à mesa comendo o que os outros prepararam? Comece a comer aquilo que você planejou para você. Coloque o seu tempero na suas decisões, nas suas atitudes e você verá que tudo ficará mais gostoso, mais prazeroso!!!

Bom começo!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010





Olá, pessoal!
Hoje estou passando por aqui para deixar registrado o trabalho que minha mãe faz com sabonetes de glicerina, aromatizantes, cremes hidratantes, sabonetes líquidos, etc. tudo muito bonito em uito cheiroso! É uma ótima opção para presentear no NATAL. Espero que gostem e qualquer coisa me mandem um email que levo para vcs conhecerem. Beijinho a todos!

andremfaria7@hotmail.com


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Excelente texto de Joelmir Beting

O Viajante
texto de Joelmir Beting

Se beber não dirija. Nem governe.
Até aqui, em 40 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 102 viagens
ao mundo. Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem
contar, ora pois, as até aqui, 283 viagens pelo Brasil...
Hoje, dia 15, ele completa 382 dias fora do país desde a posse. E pelo
Brasil, no mesmo período, 602 dias fora de Brasília.
Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: Exatos
984 dias fora do Palácio, em exatos 1.201 dias de presidência.
Equivale a 81,9% do seu mandato fora do seu gabinete. Esta é a defesa da
tese de que ele não sabia e nem sabe de nada do que acontece no Palácio do
Planalto.
Governar ou despachar, nem pensar.
A ordem é circular. A qualquer pretexto.
E sendo aqui deselegante, digo que o presidente não é (nem nunca foi)
chegado ao batente, ao despacho, ao expediente.
Jamais poderá mourejar no gabinete, dez horas por dia, um simpático
mandatário que tem na biografia o nunca ter se sentado à mesa nem para
estudar, que dirá para trabalhar.
SEM CONTAR AS DESPESAS:
FHC, EM 8 ANOS DE GOVERNO, GASTOU R$ 58 MILHÕES, CRITICADOS PELO PT.
LULA ATÉ AGORA, EM MENOS DE 7 ANOS, GASTOU R$ 584 MILHÕES! E SÓ AS
IDENTIFICADAS PELA IMPRENSA
E o povão ainda aplaude e vota!


Desculpem minha ausência!

Gente, tô muito sumida, sei disso, mas foi por motivos maiores. Acabou que nem coloquei aqui os dias restantes da quarentena, mas prometo colocar.
Minha vida tá um pouco corrida, assim como a de todos, mas prometo retomar nossas partilhas.

Bjo e até mais!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

17° dia - Liberando o perdão para achar o favor de Deus.

"Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas". Mt 6,15

O perdão deveria ser como uma nota promissória rasgada ao meio.